Democracias representativas liberais e regimes autoritários na Europa do Sul
Resumo

Tal como evidencia a Freedom House após uma fase de expansão após a terceira vaga de democratizações, na ultima década regista-se uma involução. Este è o ponto de inicio em volta do qual os estudos pretendem-se focalizar. Apesar de tudo não é a primeira vez que a democracia entra em crise e/ou até em colapso, tal como aconteceu após a primeira guerra mundial.

Não há dúvida que o populismo se tornou na Europa, sobretudo depois da crise económica de 2008, no maior desafio à democracia tal como o fascismo foi após a primeira guerra. Não existe processo eleitoral que não represente um efetivo risco para a estabilidade dos sistemas políticos: Grã-Bretanha, referendo sobre a saída da União Europeia, França com o risco concreto de uma vitória do partido de extrema direita Front National e, obviamente, Itália com o Movimento 5 Estrelas a guiar de forma mais ou menos estável as sondagens.

Nadia Urbinati (2014) e Ernesto Laclau (2005), de uma forma oposta, mas congruente conseguiram dar a este termo um cariz universal em que a primeira dicotomia diz respeito à clivagem entre democracia liberal representativa, ou seja, uma democracia baseada na tripartição dos poderes e exercida por representantes, e o populismo baseado na ideia de uma democracia exercida de uma forma mais direta.

Esta crise nas instâncias de agregação e associação dos indivíduos por parte da política tradicional – elemento comum, ainda que com diferentes matizes, que se encontra independentemente das áreas - cria, contudo, um impasse às formas de governo democráticas. Perante esse desafio, o populismo, conceito central à análise aqui elaborada, é atualmente considerado tanto como um obstáculo, quanto como uma tábua de salvação para a democracia em tempos de crise.

Date de Início
2018-11-01
Date de Fim
2024-10-31
Informação transferida do Ciência-IUL
ISCTE FCT Portugal
W3C