Trovoada de Ideias: Inclusão Linguístico-social dos Estudantes dos PALOP no Ensino Superior Português
Resumo

O projeto parte de dois diagnósticos aplicados a estudantes e professores de Instituições de Ensino Superior (IES) portuguesas, sobre inclusão académica de estudantes vindos de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), em duas instituições: Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal (2013) e ISCTE-IUL (2016).

Em ambos os diagnósticos, foi clara a necessidade de adotar estratégias e instrumentos de promoção da inclusão de estudantes internacionais dos PALOP, nomeadamente de produzir e testar materiais para aprofundar as suas competências linguístico-comunicativas para fins académicos e em diferentes variedades da língua portuguesa.

Por um lado, competências de compreensão oral e escrita do português europeu utilizado nas IES portuguesas; por outro, competências de produção de textos orais e escritos exigidos pela atividade académica em qualquer língua e respetivas variedades.

Projetos anteriores no ISCTE-IUL e noutras IES portuguesas têm apontado no mesmo sentido, mas sem o aprofundamento da problemática sociolinguística central neste projeto.

 

O projeto de investigação-ação parte de três pressupostos basilares:

1) O reconhecimento das variedades africanas da língua portuguesa, que constituem normas legítimas formalmente reconhecidas em 2010 pelo Instituto Internacional de Língua Portuguesa, da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (IILP-CPLP Plano de Ação de Brasília), assim como da diversidade dos repertórios linguístico-comunicativos específicos de cada estudante e dos contextos sociolinguísticos de cada país de origem;

2)  O imperativo de ter em conta as práticas escolares anteriores dos estudantes, ao longo de 12 anos de escolarização em português (língua primeira (L1) ou língua segunda (L2)), sob formas muito diferenciadas de desenvolvimento das competências linguístico-comunicativas, promovendo um conhecimento aprofundado sobre as diferenças entre os países de ensino escolar com o país dos estudos superiores;

3) A necessidade de identificar respostas abrangentes e eficientes de inclusão académica e social nas IES portuguesas face às especificidades dos estudantes internacionais falantes de normas africanas do português. Pretende-se assim contribuir para uma internacionalização mais eficaz e sustentável do ensino superior também em língua portuguesa, potenciando desta forma as redes internacionais implicadas.

 

Deste modo, prevê-se contribuir para a inclusão linguística e social dos estudantes internacionais africanos dos PALOP no contexto académico do ISCTE-IUL, estudantes-alvo cujo reconhecimento das variedades linguísticas é mais recente, a partir da realização de sete etapas de investigação:

(1)  Docência de uma unidade curricular (UC) de competências transversais em língua portuguesa, designada: “Português Académico", dirigida a estudantes internacionais dos PALOP, e inclusiva para os restantes estudantes, a funcionar desde maio de 2018, com isenção de propinas para os estudantes-alvo, sob a coordenação do Laboratório de Línguas e Competências Transversais (LLCT/ISCTE-IUL);

(2) Produção de um guião com materiais da UC “Português Académico" para docentes de língua, aplicáveis em IES portuguesas;

(3) Produção e funcionamento de um MOOC (Massive Open Online Course) para estudantes a partir do guião; 

(4) Produção de uma antologia de percursos/biografias escolares de estudantes internacionais dos PALOP da UC “Português Académico";

(5) Produção de uma brochura de orientações pedagógicas para docentes de IES portuguesas;

(6) Criação de uma bolsa de estudantes-mentores-facilitadores, com formação e acompanhamento, sob a coordenação do Serviço de Ação Social (SAS);

(7) Realização de eventos de disseminação dos resultados.

 

Equipa: 

Ana Raquel Matias (coordenação, CIES-IUL; ISCTE-IUL), Paulo Feytor Pinto (cocoordenação, CELGA/ILTEC; APEDI); Filomena Almeida (diretora do LLCT-IUL, coordenadora da UC); Teresa Seabra (CIES-IUL; ISCTE-IUL); Pedro Martins (Assistente de investigação, CIES-IUL, CELGA/ILTEC);  Anna Monika Augustyniak (investigadora, CIES-IUL); Rosário Candeias (Diretora do SAS-IUL) e Bela Jardim (Técnica Superior do SAS-IUL), contando com a colaboração de um grupo de estudantes angolanos que deram o nome do projeto “Trovoada de Ideias”, o equivalente de brainstorming em português angolano.

Date de Início
2016-01-01
Date de Fim
2020-12-31
Parceiros Externos
Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada da Universidade de Coimbra
Associação de Professores para a Educação Intercultural
Informação transferida do Ciência-IUL
ISCTE FCT Portugal
W3C