Assinala-se hoje, 11 de fevereiro, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, uma data instituída pelas Nações Unidas com o objetivo de reconhecer o contributo das mulheres para o avanço do conhecimento científico e de promover uma participação plena, igualitária e sustentável na ciência.
Apesar dos progressos alcançados, persistem desafios que continuam a marcar os percursos científicos das mulheres, em diferentes áreas e momentos da carreira.

Investigar a partir da realidade
O CIES tem uma longa tradição de estudos que incidem sobre a representação das mulheres, não só na ciência, como também noutras profissões e áreas da sociedade.
Nos últimos anos, investigadoras e investigadores do CIES-Iscte têm integrado projetos que continuam a abordar, de forma inovadora, temas como as desigualdades nas carreiras académicas, a sub-representação das mulheres em cargos políticos e de decisão, a inclusão social de jovens e os desafios enfrentados por mulheres migrantes.
O projeto SPACE4US – Um modelo inovador de empoderamento coletivo juvenil para promover a inclusão social de adolescentes vulneráveis, é um exemplo desse esforço, ao explorar dinâmicas de participação juvenil e empoderamento de raparigas vulneráveis, contribuindo para a construção de respostas mais inclusivas e próximas das realidades vividas.
No domínio da ciência e da academia, o projeto SAGE19 – Scientific and Academic Gender (In)equality during COVID-19 trouxe uma reflexão aprofundada sobre os impactos da pandemia na ciência e na academia, evidenciando de que forma contextos de crise podem aprofundar desigualdades já existentes, em particular nas carreiras das mulheres investigadoras.
A reflexão sobre a participação feminina na esfera pública está igualmente presente no projeto A Qualidade da Representação Política das Mulheres, que vai além da análise quantitativa da presença das mulheres na política , desenvolvendo uma análise empírica comparativa em cinco países europeus. O projeto explora, assim, as condições, os constrangimentos e o impacto efetivo da participação das mulheres nos processos de decisão.
Por sua vez, o projeto MOCEP – Mulheres Migrantes: Orientação Cultural e Ensino de Português sublinha o papel da investigação na promoção da inclusão e da coesão social, valorizando o conhecimento científico como ferramenta para responder aos desafios específicos enfrentados por mulheres migrantes nos processos de integração linguística, cultural e social.

Ciência, igualdade e futuro
Assinalar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência é também reconhecer o trabalho desenvolvido pelas 208 investigadoras do CIES-Iscte que, em diferentes momentos das suas carreiras, e trabalhando sobre diferentes temas, têm contribuído para alargar as fronteiras do conhecimento e abrir caminhos para novas gerações.
Num momento em que os desafios sociais exigem respostas cada vez mais informadas, inclusivas e interdisciplinares, valorizar o contributo das mulheres na ciência é não apenas uma questão de justiça, mas uma condição essencial para uma investigação mais robusta, plural e socialmente relevante.